Sinais precoces no bebê
Quanto mais cedo o quadro é identificado, mais cedo começa a reabilitação, e é isso que define boa parte do resultado funcional.
- Bebê muito molinho ou muito rígido ao ser pego no colo
- Dificuldade para sustentar a cabeça na idade esperada
- Mãos sempre fechadas em punho depois dos 3 a 4 meses
- Uso preferencial de um lado do corpo antes de 1 ano de idade
- Atraso importante para rolar, sentar ou engatinhar
- Movimentos assimétricos ou padrões de movimento estereotipados
- Dificuldade de sucção e de deglutição, engasgos frequentes
- Irritabilidade persistente ou choro difícil de consolar no primeiro ano
Tipos de paralisia cerebral
- Espástica: a forma mais frequente. Aumento do tônus, rigidez e movimentos limitados. Pode acometer um lado do corpo (hemiparesia), os membros inferiores (diparesia) ou os quatro membros (tetraparesia).
- Discinética: movimentos involuntários, variação do tônus, dificuldade em manter postura e em controlar o movimento voluntário.
- Atáxica: alteração do equilíbrio e da coordenação, marcha instável, tremor de intenção.
- Mista: combinação de mais de um padrão.
A classificação funcional (como a escala GMFCS, de I a V) descreve o que a criança consegue fazer no dia a dia. Ela é mais útil para planejar o cuidado do que o nome do tipo isoladamente, e orienta metas realistas de reabilitação.
Condições que costumam vir junto
Paralisia cerebral não é só motor. Boa parte do impacto na qualidade de vida vem das condições associadas, e é por isso que o acompanhamento precisa ser amplo.
- Epilepsia
- Dificuldades de fala e de comunicação
- Disfagia, engasgos e risco de aspiração
- Alterações visuais e auditivas
- Dor, principalmente por espasticidade e postura
- Constipação e refluxo
- Distúrbios do sono
- Comprometimento cognitivo, presente em parte dos casos, mas não em todos
- Complicações ortopédicas: luxação de quadril, escoliose, contraturas
Acompanhamento neurológico
O papel do neuropediatra no acompanhamento é:
- Confirmar o diagnóstico e investigar a causa da lesão
- Monitorar o tônus, a postura e a evolução funcional ao longo do crescimento
- Diagnosticar e tratar epilepsia, quando presente
- Manejar espasticidade e dor, incluindo indicação de medicação e de aplicação de toxina botulínica quando apropriado
- Rastrear ativamente as comorbidades, em vez de esperar que a família traga a queixa
- Articular a equipe: fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, ortopedia, nutrição e escola
- Emitir relatórios para escola, plano de saúde e acesso a direitos e a órteses
Reabilitação
A reabilitação é contínua e muda de foco conforme a fase da vida.
- Fisioterapia: controle motor, postura, prevenção de contraturas e de deformidades
- Terapia ocupacional: autonomia nas atividades do dia a dia, coordenação fina, adaptações
- Fonoaudiologia: comunicação, alimentação e deglutição segura, incluindo comunicação alternativa quando a fala não é funcional
- Órteses e tecnologia assistiva: adequação postural, mobilidade e comunicação
- Suporte à família, que é parte do tratamento e não um complemento dele
O objetivo não é tornar a criança igual às outras. É ampliar ao máximo o que ela consegue fazer com autonomia, conforto e participação.