Marcos da linguagem, mês a mês
Use como referência, não como cobrança. Variação é normal. Ausência total do marco é que pede atenção.
- 2 a 3 meses: emite sons de vogal, sorri em resposta
- 6 meses: balbucia com consoantes, "ba-ba", "da-da"; vira a cabeça em direção ao som
- 9 meses: entende "não", responde ao nome, imita sons
- 12 meses: uma ou duas palavras com sentido, aponta, acena tchau
- 18 meses: cerca de 10 a 20 palavras, aponta para pedir e para mostrar, entende ordens simples
- 24 meses: junta duas palavras ("quer água"), vocabulário de 50 palavras ou mais, é entendida por quem convive
- 36 meses: frases de três palavras, conta pequenas coisas, é entendida por estranhos na maior parte do tempo
- 4 anos: conta uma história curta, responde perguntas de "por quê", fala compreensível para qualquer pessoa
Sinais que pedem avaliação
- Não balbucia até os 12 meses
- Não fala nenhuma palavra até os 18 meses
- Não junta duas palavras até os 24 meses
- Não responde ao próprio nome ou não parece escutar
- Perdeu palavras ou gestos que já tinha, em qualquer idade. Este é o sinal mais urgente da lista.
- Fala, mas ninguém de fora da família entende, depois dos 3 anos
- Não aponta, não segue o olhar do adulto, não brinca de faz de conta
- Fala repetindo falas de desenho e vídeos, sem usar a linguagem para pedir ou conversar
Principais causas
O papel do neuropediatra é justamente separar essas possibilidades, porque a conduta muda completamente entre uma e outra.
- Atraso simples de linguagem: a criança compreende bem, interage bem, brinca bem, só demora a produzir fala. Costuma ter bom prognóstico com estímulo e fonoaudiologia.
- Perda auditiva: causa frequente e subdiagnosticada. Uma criança que ouve mal aprende a falar mal. Avaliação audiológica é quase sempre indicada.
- Transtorno do Espectro Autista: aqui o atraso vem acompanhado de diferenças na comunicação social e no brincar.
- Atraso global do desenvolvimento: a linguagem atrasa junto com o motor e o cognitivo.
- Transtorno específico da linguagem: dificuldade importante e persistente com a linguagem, sem outras alterações do desenvolvimento.
- Apraxia de fala na infância: a criança sabe o que quer dizer, mas tem dificuldade em programar o movimento para dizer.
- Pouco estímulo ou excesso de tela: tempo de tela em idade precoce reduz a interação verbal, que é o que constrói linguagem.
Como é a investigação
A consulta cobre a linha do tempo da linguagem, a compreensão (o que ela entende, e não só o que fala), a comunicação sem palavras, o brincar e a interação. Em seguida, o exame neurológico e a definição do que investigar. Costumam entrar no plano:
- Avaliação audiológica completa
- Avaliação fonoaudiológica da linguagem
- Rastreio de sinais de autismo, quando o perfil sugere
- Exames complementares apenas quando há indicação específica
O que fazer em casa, a partir de hoje
- Fale narrando o que vocês estão fazendo, o dia inteiro. Banho, comida, caminho da escola.
- Espere a resposta. Faça a pergunta e conte até cinco antes de responder por ela.
- Não antecipe o pedido. Se você entrega a água antes dela pedir, ela não precisa falar.
- Leia livros juntos, mesmo antes de ela falar. Aponte e nomeie.
- Reduza a tela. Tela é linguagem que não responde, e criança aprende a falar em conversa, não em transmissão.
- Repita expandindo: ela diz "au-au", você responde "sim, o cachorro grande".