Neurodesenvolvimento

Atraso no desenvolvimento: marcos, causas e o que fazer

Marcos do desenvolvimento por idade, sinais de alerta motores e cognitivos, investigação de causa e estimulação precoce com neuropediatra em Manaus.

Em resumo

Atraso no desenvolvimento é quando a criança não alcança os marcos esperados para a idade em uma ou mais áreas: motora, de linguagem, cognitiva ou social. Quando duas ou mais áreas estão comprometidas em criança abaixo de 5 anos, chama-se atraso global do desenvolvimento. A identificação precoce importa porque os primeiros três anos concentram a maior janela de neuroplasticidade: é o período em que o cérebro mais responde a estímulo dirigido.

Marcos por idade

Motor

  • 3 meses: sustenta a cabeça
  • 6 meses: rola, senta com apoio, alcança objetos
  • 9 meses: senta sem apoio, transfere objeto de uma mão para outra
  • 12 meses: fica em pé com apoio, pinça com polegar e indicador
  • 18 meses: anda sozinha com segurança
  • 24 meses: corre, sobe degraus com apoio, chuta bola

Social e cognitivo

  • 2 meses: sorriso social
  • 6 meses: reconhece rostos familiares, demonstra alegria
  • 9 meses: estranha desconhecidos, procura objeto escondido
  • 12 meses: aponta, imita gestos, entrega objeto ao adulto
  • 18 a 24 meses: brinca de faz de conta, imita tarefas do dia a dia
  • 3 anos: brinca junto de outras crianças, entende noção de turno

Sinais de alerta em qualquer idade

  • Perda de habilidades já adquiridas. Sempre exige avaliação, e com prioridade.
  • Não sustenta a cabeça aos 4 meses
  • Não senta sem apoio aos 9 meses
  • Não anda aos 18 meses
  • Bebê muito "molinho" ou, ao contrário, muito rígido
  • Usa preferencialmente um lado do corpo antes de 1 ano
  • Não olha, não sorri, não interage
  • Perímetro cefálico crescendo fora da curva, para mais ou para menos

Causas possíveis

  • Prematuridade e complicações do período neonatal
  • Falta de oxigênio no parto ou intercorrências gestacionais
  • Infecções congênitas como citomegalovírus, toxoplasmose, zika e sífilis
  • Síndromes genéticas e alterações cromossômicas
  • Erros inatos do metabolismo, raros mas tratáveis quando identificados cedo
  • Perda auditiva ou visual não diagnosticada
  • Epilepsia com atividade elétrica que interfere no desenvolvimento
  • Privação de estímulo e contexto de vulnerabilidade
  • Em uma parcela dos casos, a causa não é identificada mesmo após investigação completa. Isso não impede o tratamento, que é dirigido ao que a criança precisa desenvolver.

Investigação

A avaliação começa pela história completa e pelo exame neurológico, e a partir daí define o que investigar. Podem entrar:

  • Avaliação auditiva e oftalmológica
  • Exames metabólicos e de triagem ampliada
  • Investigação genética, do cariótipo ao sequenciamento, conforme o caso
  • Ressonância magnética de crânio
  • Eletroencefalograma, quando há suspeita de crise ou regressão

Um ponto que vale dizer com clareza: a investigação da causa não atrasa o início da estimulação. As duas coisas correm em paralelo. Esperar o resultado de um exame genético para começar a fisioterapia é perder meses de janela.

Estimulação precoce

É o conjunto de intervenções que aproveita a plasticidade dos primeiros anos. Quanto antes começa, melhor o resultado, e isso vale mesmo quando ainda não se sabe a causa.

  • Fisioterapia motora, para tônus, postura e aquisição de marcos
  • Terapia ocupacional, para coordenação fina, integração sensorial e autonomia
  • Fonoaudiologia, para linguagem, alimentação e deglutição
  • Psicologia e orientação familiar
  • Estímulo em casa, que é onde a criança passa a maior parte do tempo e onde a maior parte do ganho acontece

Perguntas frequentes

Meu filho nasceu prematuro. Devo usar a idade corrigida?

Sim. Até os 2 anos, os marcos do desenvolvimento de crianças prematuras são avaliados pela idade corrigida, que desconta as semanas de prematuridade. Um bebê nascido com 30 semanas, aos 6 meses de vida, tem cerca de 3 meses e meio de idade corrigida, e é essa a referência.

Atraso no desenvolvimento significa deficiência intelectual?

Não necessariamente. Atraso é uma descrição do momento atual, não um prognóstico definitivo. Muitas crianças com atraso identificado cedo e bem estimuladas alcançam o desenvolvimento típico. Deficiência intelectual é um diagnóstico específico, que exige avaliação formal e costuma ser definido a partir da idade escolar.

Preciso descobrir a causa para começar o tratamento?

Não. A estimulação começa a partir da identificação do atraso e corre em paralelo com a investigação. Descobrir a causa é importante para o prognóstico, para o aconselhamento familiar e para tratar condições específicas, mas nunca deve atrasar o início da terapia.

Quantas sessões de terapia por semana são necessárias?

Depende do perfil e da gravidade do atraso, e é definido caso a caso junto com a equipe terapêutica. O que se busca é uma intensidade suficiente para gerar ganho, sem sobrecarregar a criança e a rotina da família a ponto de o plano não ser sustentável.

Andar tarde é sempre problema?

Existe variação normal, e crianças que andam com 16 ou 17 meses podem estar dentro do esperado. O limite prático é 18 meses: acima disso, ou se houver qualquer outro sinal associado, como tônus alterado, assimetria ou atraso em outras áreas, a avaliação é indicada.

Alguma coisa aqui parece com o seu filho?

Uma avaliação que conclui que está tudo bem também é um resultado valioso. O que não compensa é ficar na dúvida.